Astronautas conseguem tirar as primeiras radiografias humanas no espaço

Publicado por Ayres Daio Neto em 2026-07-15

Astronautas conseguem tirar as primeiras radiografias humanas no espaço

Durante mais de seis décadas de exploração espacial, os astronautas nunca tiveram acesso a um equipamento de raios X em órbita. Isso acaba de mudar. Vão ser possíveis as radiografias no espaço.

 

Uma equipa de investigadores conseguiu demonstrar, pela primeira vez, que é possível obter radiografias de qualidade diagnóstica diretamente no espaço, abrindo caminho para cuidados médicos muito mais avançados em futuras missões à Lua e a Marte.

Um marco importante para a medicina espacial

Os resultados, agora publicados na revista científica Radiology, mostram que astronautas conseguiram realizar radiografias dos próprios corpos utilizando um sistema portátil desenvolvido especificamente para funcionar em ambiente de microgravidade.

As imagens obtidas durante o voo foram comparadas com radiografias realizadas antes e depois da missão, revelando uma qualidade suficiente para utilização clínica. Entre os exames realizados encontram-se radiografias das mãos, punhos, antebraços, tornozelos, pés, pélvis, abdómen e tórax.

Radiografias das mãos realizadas, da esquerda para a direita, antes do voo, em órbita e após o voo, em três indivíduos diferentes, utilizando o mesmo protocolo de imagiologia. (Gifford et al., Radiology, 2026)

Porque é que isto é tão importante?

Atualmente, a Estação Espacial Internacional dispõe apenas de ecógrafos para diagnóstico médico. Embora sejam extremamente úteis, estes equipamentos têm limitações e dependem frequentemente de especialistas em Terra para interpretar as imagens.

Um sistema de raios X permitirá aos astronautas diagnosticar rapidamente problemas como:

  • Fraturas ósseas;
  • Luxações;
  • Lesões musculoesqueléticas;
  • Problemas dentários;
  • Algumas doenças pulmonares.

Esta capacidade será particularmente importante em missões de longa duração, nas quais uma evacuação médica para a Terra será impossível.

Radiografias torácicas realizadas (A) antes do voo, (B) e (C) durante o voo e (D) após o voo. A imagem pós-voo foi obtida num indivíduo que não fazia parte da tripulação, utilizando o mesmo protocolo de imagiologia. (Gifford et al., Radiology, 2026)

Equipamento pequeno e adaptado à microgravidade

O sistema utilizado é compacto e foi concebido para responder às exigências das futuras missões espaciais.

Além de funcionar em microgravidade, os investigadores procuraram reduzir ao mínimo:

  • Peso;
  • Consumo energético;
  • Dimensões;
  • Exposição à radiação.

Outro desafio consistiu em desenvolver técnicas que permitam posicionar corretamente o paciente e o equipamento, uma tarefa mais complexa quando não existe gravidade para manter o corpo imóvel.

Um passo essencial para chegar a Marte

A NASA e outras agências espaciais consideram que o diagnóstico médico autónomo será indispensável para missões tripuladas a Marte, que poderão durar mais de dois anos.

Durante esse período, uma simples fratura ou uma lesão interna poderá colocar toda a missão em risco caso não exista forma de confirmar rapidamente o diagnóstico.

Esta demonstração prova que os raios X podem integrar o conjunto de equipamentos médicos das futuras naves espaciais e bases lunares, permitindo uma resposta muito mais eficaz a emergências médicas longe da Terra.

                                    
                                

Vítor M.

Responsável pelo Pplware, fundou o projeto em 2005 depois de ter criado em 1993 um rascunho em papel de jornal, o que mais tarde se tornou num portal de tecnologia mundial. Da área de gestão, foi na informática que sempre fez carreira.

Fonte original: Pplware